quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O que as lágrimas não falam - Final I


Então, Ion levara Iael ao encontro do único ser, além de Deus, capaz de trazer a vida qualquer ser celeste. Chegara, então, a uma casa abandonada e bastante velha.

-Augustos, - gritou Ion – juiz dos mortos, julgador dos vivos. Vinde até mim meu velho amigo.

Surge, então, um homem com uma capa marrom, coberto por correntes e com um livro velho e grosso em suas mãos.

-Tais palavras me alegram – disse o homem – o que queres de mim, velho amigo, por que me chamaste?

-Vim pedir por um amigo. Este ao meu lado. Peço-lhe que ressuscite uma mortal, pois tal mortal conseguira uma proeza muito grande, conseguira que esse arcanjo amasse-a mais que a própria vida.

Por um instante, tudo se aquietou, o silêncio consumia tudo e todos. Augustos achou que era brincadeira, mas, logo, percebeu que não.

-Não posso fazer nada, pois, em relação aos mortais, eu só os julgo. Deus só me deu o poder de ressuscitar arcanjos e anjos. Mortais são de ordem dele. Se ele quer que morra, então assim será. Desculpe-me, velho amigo, mas, desta vez, não posso ajudá-lo.

Iael correu desesperado em direção a Cerbaron (o pico mais alto existente no céu). Ion o seguiu.

Ao chegar a Cerbaron, Iael viu a silhueta da alma de sua menina vagando por entre os picos, sem rumo algum. Foi aí que olhara para Ion e falara:

-Amigo que me ajudara no momento que mais precisei, peço-lhe outro favor.

-Diga-me qual, que, se torná-lo feliz e estiver ao meu alcance, farei com todo prazer.

-Corta minhas asas e torna-me mortal. Faz que eu me uma a minha menina ao menos em espírito.

Ion ficara pensativo por alguns minutos.

-Afasta-te de mim; Demônio. Tal tentação não é digna de sanidade. Deixa meu amigo e eu em paz.

Iael não compreendera o motivo de tal arrependimento, mas não soube respeitá-lo. Pegou a espada que estava embainhada em sua cintura e, em um simples movimento, cortara as próprias asas.

-Desculpa amigo, por não poder te acompanhar, mas sou muito covarde. Não suportaria viver o resto da eternidade sabendo que a pessoa que eu jurei amar até o fim da minha vida está morta. – Falou Iael – Adeus!

Deu um breve sorriso e pulou. Ion não acreditara no que seus olhos viram, mas quando tentou fazer algo. Iael já havia pulado.

-Levarei você até o fim da minha vida! – Gritou Ion.

Continua...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O que as lágrimas não falam - Parte III


Ficara pensativo por alguns segundos, o seu desejo o consumia cada vez mais, não sabia como, mas tinha que achar algum jeito de tê-la de volta, pensara em tentar voltar no tempo, mas isso era fisicamente impossível.

-Terei então, que aprender a viver sem tê-la. – suspirou ele agarrando o corpo de sua protegida – Desculpa por ser covarde e não ter coragem de parar ou até acabar com a minha vida por ti.

Em um breve instante, Ion pôde presenciar uma cena muito rara e muito triste: Iael, abraçado ao corpo da mortal, deixara cair uma lágrima em seu peito esquerdo, bem onde fica o coração, e então nesse exato momento, Ion percebeu o que realmente era amor e que Iael não estava confuso, nem mentindo e tão pouco brincando quando falara que amava tal mortal.

Ion foi até Iael, em passos curtos e lentos, “apreciando” cada momento e lamentando o acontecido.

-Está feliz agora? – falou Iael com a cabeça baixa.

Ion não foi capaz de responder, via Iael no chão com seus olhos cobertos por seus cabelos. Não sabia se o deixava ou tentava ajudar.

Então, lembrou que podia ajudar Iael.

-Iael – falou Ion – queres mesmo, mais que tudo, uma segunda chance? Estais pronto para assumir toda a responsabilidade e arcar com as conseqüências?

-Sim, é o que mais quero. – respondeu Iael.

Continua...

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O que as lágrimas não falam - Parte II


Por alguns segundos Iael ficou em silêncio, um silêncio ensurdecedor, fora do comum, incorrompível. A não ser por um grito de medo e desespero.

Iael reconheceu o grito. Era o grito de uma menina, a sua menina, sua protegida, sua amada, não se conteve e foi ao encontro dela. Ao chegar, viu um corpo estirado no asfalto coberto por um rio de sangue. Não precisava nem ver o rosto, pois já sabia quem era, porém não quis acreditar e foi até o corpo conferir. Não adiantou, pois o seu rosto estava totalmente desfigurado, mas não precisava ver, porque já sabia quem havia sido a vítima, pois, quando chegara, já era tarde, seu grito havia sido calado, sua voz se acalmado e seu socorro havia sido em vão.

Permanecera imóvel, sem ação, porque não acreditava que aquilo acontecera, e o inadmissível era que tinha acontecido por sua culpa, pois havia preferido entrar em discussão com Ion (a luz) a cumprir a única tarefa, que lhe tinha sido dada, que era proteger a tal menina e agora, por irresponsabilidade sua, não a tinha mais e o pior, ela morreu sem saber que ele a amava e até sem conhecê-lo.

-Queria fazer algo, mas não posso. – pensou ele – Agora nada mais, para mim, fará sentido, pois o único sentido da minha humilde existência era protegê-la, e eu nem para fazer-lo direito.

Não se conformava com o que havia acontecido, queria poder ter mais uma chance, mas não sabia como ou onde conseguí-la...

Continua...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O que as lágrimas não falam - Parte I


De repente, viam-se aquelas brumas, não se sabia ao certo o que era, mas se sabia uma coisa, que não era nada bom.

Iael permanecera sentado e imobilizado, enquanto as brumas se adentravam na sala e subiam criando forma. Uma forma bastante familiar e que para poucos (como Iael), causava certo temor que chegava até a dar arrepios. Após alguns instantes, a bruma havia assumido a forma de um homem; mas não dava para ver seu rosto e nem suas características físicas, porém havia uma coisa que a diferenciava do restante da névoa, era uma luz muito forte, capaz de cegar, em um curto período de tempo, qualquer um que ousasse olhar para ela.

-Quem diria – disse a luz para Ieal – o mais fiel e mais forte de todos os arcanjos, corrompido por uma emoção mortal, um sentimento se nexo, capaz de atormentar a vida de qualquer um.

Iael ao ouvir aquelas palavras não se conteve e, em um tom bastante elevado e enfurecido, respondeu:

-Falaste assim, pois nunca sentiste tal sentimento, porque não consegues purificar teu coração e deixar de lado tal guerra e diferenças e perceber que, para o amor, tal sentimento que tanto desprezas, não existem barreiras.

-Como ousas falar tais blasfêmias?– retrucou a luz – Se és tão nobre ao ponto de atingir tal plenitude que é o amor deverias estar ao lado de Deus e não entre nós mísero arcanjo que só temos um propósito na vida que é proteger os humanos e tu não consegue nem fazer isso direito, pois acaba por apaixonar-se por tua protegida... Polpa-me de tais insanidades, pois não sabes o que estas falando, o que estas sentindo e tão pouco o que é amor...

Continua...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Espera

Estava ansiosa. Já tinha tomado seu banho, vestido sua melhor roupa, se perfumado e enfeitado-se toda. Estava pronta para sair.
Sentou-se na cadeira de balanço ao lado do telefone, ansiosa para que tocasse. Não via a hora para ir ao festival.
Estava muito impaciente, sentada de pernas cruzadas, não parava de mexer seu pé um só minuto.
Enquanto esperava, lembrava de como havia sido bom o festival do ano passado.
-Mal posso esperar. - Pensava ela.
Ligou a televisão, mas não adiantava, fitava os olhos no relógio, que ficava por trás do aparelho.
O tempo parecia não querer passar, como se estivesse brincando de resistência.
De repente, algo quebra sua concentração, um barulho rompe o domínio do silêncio sobre o local.
O telefone toca.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Devaneio

Acordara como de um sopetão, assustado, atento, preocupado, seu coração batia forte parecia até que iria explodir, angustiado, preocupado.
Rolou de um lado a outro da cama, enrolou-se e desenrolou-se várias vezes. Tentara dormir novamente, mas estava muito inquieto, preocupado, ansioso para conseguir tal feito.
Pensara em ligar para uma pessoa, mas já era muito tarde para incomodar.
Tentara lembrar se isso já havia acontecido alguma vez.
Lembrara de um, mas não mais que isso.
Achou melhor não incomodar, pois a final, foram só duas vezes, faltava a terceira para a confirmação.
Foi até a cozinha; pegou um copo; enche-o d'água; pôs um pouco de açúcar; misturou-o à água, com uma colher, em movimentos circulares; prestando bastante atenção no pequeno redemoinho, que parecia deixá-lo em transe, fazendo-o se perder por entre os devaneios de seus pensamentos; ingeriu aquela solução adocicada, degustando-a lentamente, buscando obter um maior resultado. Mas fora em vão.
Não conseguiria se acalmar enquanto não obtivesse notícias.
Foi até a janela; acendeu um cigarro na esperança, ultima, de acalmar-se.
Enquanto olhava a fumaça que saia de sua boca, subindo e, aos poucos, perdendo-se, misturando-se ao ar. Aquela frase martelava em sua cabeça sem parar.
"O homem aprendeu com Deus a criar, mas foi com o homem que Deus aprendeu a AMAR..."

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Dúvida


Não sabia o que fazer. Pensou em pular, mas poderia não dar certo, poderia não atingir o seu objetivo.
A dúvida pairava sobre seus pensamentos. Sua consciência dizia-o para voltar, mas já era um pouco tarde para pensar nessa hipótese.
O medo o consumia, mas sabia que não tinha mais razão para ficar. Precisava fazer o que tinha de ser feito.
Hesitou por alguns instantes.
Pensou em sua mãe, pai, familiares. amigos e todos que deixara para trás. Sentiu-se covarde, mas precisava salvar-se daquele tormento.
De repente, todas as lembranças vieram a seus pensamento, como se sua vida, passasse feito filme e, em câmera lenta, observava a última cena, dando chance para reparar nos mínimos detalhes e julgar, se valeria ou não a pena desistir ou continuar.
Então, em movimentos suaves, fechou seu olhos, tentando limpar seus pensamentos, abriu os braços e, na eminência de um possível salto, começou a orar.