segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O que as lágrimas não falam - Parte I


De repente, viam-se aquelas brumas, não se sabia ao certo o que era, mas se sabia uma coisa, que não era nada bom.

Iael permanecera sentado e imobilizado, enquanto as brumas se adentravam na sala e subiam criando forma. Uma forma bastante familiar e que para poucos (como Iael), causava certo temor que chegava até a dar arrepios. Após alguns instantes, a bruma havia assumido a forma de um homem; mas não dava para ver seu rosto e nem suas características físicas, porém havia uma coisa que a diferenciava do restante da névoa, era uma luz muito forte, capaz de cegar, em um curto período de tempo, qualquer um que ousasse olhar para ela.

-Quem diria – disse a luz para Ieal – o mais fiel e mais forte de todos os arcanjos, corrompido por uma emoção mortal, um sentimento se nexo, capaz de atormentar a vida de qualquer um.

Iael ao ouvir aquelas palavras não se conteve e, em um tom bastante elevado e enfurecido, respondeu:

-Falaste assim, pois nunca sentiste tal sentimento, porque não consegues purificar teu coração e deixar de lado tal guerra e diferenças e perceber que, para o amor, tal sentimento que tanto desprezas, não existem barreiras.

-Como ousas falar tais blasfêmias?– retrucou a luz – Se és tão nobre ao ponto de atingir tal plenitude que é o amor deverias estar ao lado de Deus e não entre nós mísero arcanjo que só temos um propósito na vida que é proteger os humanos e tu não consegue nem fazer isso direito, pois acaba por apaixonar-se por tua protegida... Polpa-me de tais insanidades, pois não sabes o que estas falando, o que estas sentindo e tão pouco o que é amor...

Continua...

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