
Por alguns segundos Iael ficou em silêncio, um silêncio ensurdecedor, fora do comum, incorrompível. A não ser por um grito de medo e desespero.
Iael reconheceu o grito. Era o grito de uma menina, a sua menina, sua protegida, sua amada, não se conteve e foi ao encontro dela. Ao chegar, viu um corpo estirado no asfalto coberto por um rio de sangue. Não precisava nem ver o rosto, pois já sabia quem era, porém não quis acreditar e foi até o corpo conferir. Não adiantou, pois o seu rosto estava totalmente desfigurado, mas não precisava ver, porque já sabia quem havia sido a vítima, pois, quando chegara, já era tarde, seu grito havia sido calado, sua voz se acalmado e seu socorro havia sido em vão.
Permanecera imóvel, sem ação, porque não acreditava que aquilo acontecera, e o inadmissível era que tinha acontecido por sua culpa, pois havia preferido entrar em discussão com Ion (a luz) a cumprir a única tarefa, que lhe tinha sido dada, que era proteger a tal menina e agora, por irresponsabilidade sua, não a tinha mais e o pior, ela morreu sem saber que ele a amava e até sem conhecê-lo.
-Queria fazer algo, mas não posso. – pensou ele – Agora nada mais, para mim, fará sentido, pois o único sentido da minha humilde existência era protegê-la, e eu nem para fazer-lo direito.
Não se conformava com o que havia acontecido, queria poder ter mais uma chance, mas não sabia como ou onde conseguí-la...

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